Não fica sem celular? Pode ser Nomofobia

Sabemos que da mesma forma que a tecnologia facilita nossa rotina e cria diversas novas possibilidades, o uso excessivo dela pode trazer graves consequências. Claro que existem as consequências da exposição, dos acidentes de trânsito e outras. Mas aqui vamos falar das consequências psicológicas.

Nomofobia

Nomofobia, que vem de No Mobile Phobia, é o medo irracional de ficar sem telefone celular, computador ou qualquer outro produto de comunicação virtual. Estudiosos apontam que a patologia atinge mais homens do que mulheres, mas em ambos os casos a presença de um ou mais sintomas é alta.

Esse fenômeno psicológico tem sido muito estudado no meio da saúde por ser cada vez mais presente. Alguns dos sintomas estudados são:

  • Ter um ou mais aparelhos (como celular e tablet), sempre leva-los consigo e usa-los durante grande parte do tempo.
  • Levar junto o carregador ao sair de casa
  • Sentir-se nervoso e ansioso em lugares e situações em que o uso do aparelho não é possível, como voos, áreas sem sinal ou quando acaba a bateria.
  • Olhar para o telefone o tempo todo, mesmo sem estímulo de toque ou vibração, para ver se há alguma nova ligação ou mensagem.
  • Se esforçar para manter o aparelho ligado 24h por dia e dormir com ele na cama.
  • Criar dívidas ou dedicar grandes gastos a aparelhos ou despesas de utilização do aparelho
  • Preferir se comunicar pelo aparelho a pessoalmente

Uma palavra que vem sendo bastante utilizada em estudos de tal tema é a ringxiety (ring + anxiety do inglês, ou ansiedade pelo toque, em tradução livre), que nos remete bastante à síndrome da vibração fantasma, que já falamos aqui anteriormente.

            nomofobiaA nomofobia é considerada um transtorno de ansiedade e se mostra de forma bastante agravada em pacientes com transtornos ansiosos e do pânico. Nesses casos, o celular aparece como um “parceiro fóbico” que ilustra o comportamento de insegurança e medo, já que quando estão com o celular em mãos sentem-se acompanhados e mais seguros. Enquanto na ausência desse, sentem medo de que algo aconteça e não tenham como se comunicar para pedir socorro.

            São várias as características da nomofobia, o aparelho telefônico pode ser usado como uma forma de escudo protetor, como um objeto transicional ou até como um meio para evitar a comunicação social. Por isso surgem discussões muito comuns atualmente, que questionam os benefícios de uma tecnologia que promete aproximar aqueles que estão longe, mas acaba por distanciar os próximos, criando inabilidades sociais acentuadas. Esse é o paradoxo das novas tecnologias que nos leva a pensar: a nomofobia seria o medo de ficar sem um aparelho de comunicação virtual ou a expressão de uma fobia social?

 

REFERÊNCIAS
RAGAZZI; PUENTE. A proposal for including nomophobia in the new DSM-V. Psychology Research and Behavior Management, v. 7, p. 155-160, 2014.
KING et al. Nomophobia: Dependency on virtual environments or social phobia? Computers in Human Behavior, v.29, p. 140-144, 2013.
KING et al. “Nomophobia”: Impact of Cell Phone Use Interfering with Symptoms and Emotions of Individuals with Panic Disorder Compared with a Control Group. Clinical Practice and Epidemiology in Mental Health, v. 10, p. 28-35, 2014.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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