Rejeição dói? Nosso cérebro compreende a rejeição como dor física

Você sabia que a dor da rejeição é sentida pelo cérebro da mesma forma que a dor física? Seja uma rejeição social, amorosa ou familiar, ela dói, assim como a dor física.

Deficientes visuais e pessoas com pouco tempo para leitura (e qualquer outra pessoa que quiser) podem ouvir o áudio do texto no player abaixo.

ESTUDOS SOBRE REJEIÇÃO

O ser humano tem como necessidade básica ser aceito e pertencer. Ser aceito e pertencer a uma sociedade, a uma família, a um grupo de amigos e a um parceiro (a). Sem isso, a sensação é de dor, uma forte dor no peito que todos nós já sentimos ou tentamos descrever após uma desilusão amorosa ou o fim de uma amizade.

Foi tentando compreender se isso realmente tinha relação que alguns estudos foram conduzidos nos Estados Unidos. Os estudos foram feitos com participantes que tinham acabado de sofrer uma desilusão amorosa e outros estudos feitos com participantes que foram submetidos à rejeição em um jogo de bolas, ou seja, não foram escolhidos por seus colegas de jogo. Os resultados são os mesmos:

A rejeição ativa no cérebro as mesmas áreas que a dor física. Além disso, após a rejeição, os participantes rejeitados se mostravam mais sensíveis a outros testes de dor e o desconforto.
Isso nos dá uma nova compreensão da dor da rejeição. Ela é semelhante à dor física não só pelo fato de ambas serem angustiantes, mas também porque ambas tem a mesma representação somatossensorial, ou seja, nosso cérebro interpreta as duas vivências de modo semelhante.

MAS ISSO NÃO É RELATIVO?

RejeiçãoVocê pode se perguntar “por que algumas pessoas lidam melhor com a rejeição do que outras, não é sentido como dor física para todos?” Mas a intensidade dessa dor varia de acordo com as expectativas do indivíduo. Ao fim de um relacionamento, sofre quem estava mais envolvido e tinha mais expectativas, aquele que não queria o término. Além disso, há a questão do histórico. Uma pessoa que é rejeitada em um relacionamento amoroso, mas pertence a outros grupos sociais, não sentirá tanto quanto uma pessoa que foi rejeitada também pela família ou amigos, por exemplo.

Mas é legal lembrarmos que a dor da rejeição passa, assim como a dor física. Logo o indivíduo em sofrimento pertencerá a outro grupo ou parceiro e deve lembrar que “a vida continua”.

Claro que muitas vezes pode não ser tão simples, se o sofrimento for muito grande o indicado é procurar ajuda profissional para passar por isso. Afinal, quando estamos com muita dor física procuramos um médico, certo? Então por que não procurar um terapeuta?

 

REFERÊNCIAS

EISENBERGER et al. An Experimental Study of Shared Sensitivity to Physical Pain and Social Rejection. Pain, v. 126, p. 132-138, 2006.

EISENBERGER; LIEBERMAN; WILLIAMS. Does Rejection Hurt? An fMRI Study of Social Exclusion, Science Magazine, v. 302, n. 5643, p. 290-292, 2003.

EISENBERGER; LIEBERMAN. Why rejection hurts: a common neural alarm system for physical and social pain. Trends in Cognitive Sciences, Los Angeles, v. 8, n. 7, p.294-300, 2004.

SMITH et al. Social Rejection Shares Somatosensory Representations with Physical Pain, PNAS, v.108, n.15, 2011.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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