Qual é o transtorno psiquiátrico mais mortal de todos?

Sabemos hoje que existem alguns transtornos psiquiátricos bastante sérios que devem receber tratamento o mais precocemente possível. Alguns estão bem marcados em nossas mentes, conhecemos a gravidade da depressão, do transtorno bipolar, da esquizofrenia e dos transtornos alimentares. Mas dentre esses, qual você acha que é o mais mortal?

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ANOREXIA

Acertou quem disse Anorexia Nervosa. Pesquisadores Britânicos e Dinamarqueses fizeram um estudo de revisão que analisa dados desde 1960 e chegaram a índices alarmantes quanto a mortalidade dos transtornos alimentares. Mas dentre esses há ainda um mais mortal: a anorexia nervosa.

A anorexia nervosa é um transtorno que provoca um medo irracional de engordar e uma má percepção corporal, ou seja, o indivíduo se enxerga com mais peso do que realmente tem, o que o apavora. Isso faz com que ele auto imponha restrições muito severas à sua dieta. Essas restrições começam com a retirada de alimentos muitos calóricos e avança progressivamente para outros alimentos, deixando a dieta muito empobrecida e nada saudável.

Nesse ponto devemos lembrar que a anorexia é um transtorno muito grave e bastante comum nos dias atuais, portanto, caso você note a presença de um desses sintomas em si mesmo ou em alguém próximo, procure imediatamente ajuda profissional.

A doença é considerada crônica e seu avanço causa complicações clínicas das mais diversas, como metabólicas, neurológicas, endócrinas, oftalmológicas, renais, pulmonares, hematológicas, gastrointestinais entre outros. Com o corpo tão adoecido, a taxa de mortalidade é muito grande. Em um ano, a cada mil pessoas com anorexia 5,1 morrem. Esses números são muito superiores a outros transtornos alimentares como a bulimia, por exemplo, em que a cada mil, 1,7 pessoas acometidas morrem por ano.

Isso não faz com que a taxa de mortalidade na bulimia seja baixa, é ainda alta. Mas mostra que a taxa da anorexia nervosa é realmente muito alta. Se compararmos com outros transtornos também graves, veremos que as taxas da anorexia ainda são muito superiores:

– Esquizofrenia, aumenta o risco de morte 2,8 vezes em homens e 2,5 vezes em mulheres, se comparado a uma pessoa saudável.
– Transtorno bipolar aumenta o risco de morte 1,9 vezes em homens e 2,1 vezes em mulheres, se comparado a uma pessoa saudável.
– Depressão grave, aumenta o risco de morte 1,5 vezes em homens e 1,6 vezes em mulheres, se comparado a uma pessoa saudável.

A idade também parece ser um fator relevante. A doença é mais mortal em pacientes jovens, de 20 a 29 anos. Os adolescentes de 15 a 19 anos estão em segundo lugar nessa estatística.

AnorexiaImagina-se que indivíduos acometidos por esse transtorno faleçam de complicações de saúde, é claro. Mas o suicídio também é um risco presente. Em cada cinco mortes de pessoas com anorexia, uma é de suicídio. Esses dados assustadores nos mostram que é preciso um cuidado e atenção especial para casos como esse. Mas também alertam que devemos cuidar de uma sociedade adoecida que vive a ditadura do corpo magro e tira a saúde – se não a vida – de milhares por conta de um padrão pré-estabelecido.

NOTA: Falamos aqui dos transtornos alimentares e a necessidade de atenção a eles. Mas isso não faz com que os outros transtornos não mereçam atenção! Pelo contrário: devemos cuidar de todos os transtornos psiquiátricos com muita atenção e cuidado, visando sempre o bem-estar do paciente.

Vídeo campanha da anorexia bilumi konkakl

REFERÊNCIAS

ARCELUS et al. Mortality Rates in Patients With Anorexia Nervosa and Other Eating Disorders: A Meta-analysis of 36 Studies. Archives of General Psychiatry, v. 68, n. 7, p. 724-731, 2011.

ASSUMPCAO; CABRAL. Complicações clínicas da anorexia nervosa e bulimia nervosa. Revista Brasileira de Psiquiatria,  São Paulo, v. 24, p. 29-33, 2002.

DUNKER; PHILIPPI. Hábitos e comportamentos alimentares de adolescentes com sintomas de anorexia nervosa. Revista de Nutrição,  Campinas,  v. 16, n. 1, p. 51-60, 2003.

Sobre a autora

Priscilla Figueiredo

Priscilla Figueiredo é Psicóloga de orientação Psicanalítica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e atua na área da saúde como psicóloga clínica. Para disseminar seu conhecimento, criou o Psicologia Para Curiosos e escreve artigos regularmente aqui no site.

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